Uma nova esperança surge para as pessoas que lutam contra o câncer. O fantástico mostrou, neste domingo (25), uma reportagem sobre um tratamento inovador que promete acabar com a doença com o uso de células de defesa do paciente, modificadas geneticamente. O estudo, acompanhou durante seis meses duas pacientes que passaram por esse tratamento. A nova terapia dura cerca de 30 minutos.
Essa técnica inovadora, que utiliza células de defesa do próprio paciente geneticamente modificadas para combater o câncer, está despertando interesse e otimismo entre médicos e pacientes. Aprovada pela agência reguladora de saúde dos Estados Unidos em 2017, a terapia com células CAR-T oferece uma abordagem radicalmente diferente para o tratamento do câncer.
Através da modificação genética das células T do sistema imunológico do paciente, essas células são reprogramadas para identificar e destruir as células cancerígenas no organismo. No entanto, apesar dos resultados promissores observados em pacientes que não responderam a tratamentos convencionais, ainda há muitos desafios. O acesso a esse tratamento continua sendo um obstáculo para muitos, com custos elevados e disponibilidade limitada em muitas regiões do mundo.
No Brasil, onde a terapia com células CAR-T está começando a ganhar terreno, os pacientes enfrentam a difícil escolha entre enviar células para laboratórios no exterior, com custos que chegam a R$ 2 milhões, ou participar de estudos clínicos em instituições de renome. Além disso, embora as indicações para essa terapia estejam se expandindo gradualmente, atualmente apenas alguns tipos específicos de câncer, como linfoma difuso de grandes células B e leucemia linfoblástica aguda, são elegíveis para o tratamento com células CAR-T.
Pesquisamos com mais detalhes essa nova terapia:
Este tratamento traz benefícios para os pacientes, ao tangibilizar novas possibilidades de tratamento e até mesmo um potencial de cura para doenças até então sem opções terapêuticas; e para a sociedade, ao propiciar que pacientes, familiares e/ou cuidadores tenham ganhos na qualidade de vida, voltando a trabalhar e buscar suas aspirações pessoais.
O que são células CAR-T? “CAR” é um acrônimo em inglês para chimeric antigen receptor (em português, receptor quimérico de antígeno). O “T” refere-se ao linfócito T, um tipo de célula do sistema imunológico que consegue reconhecer antígenos existentes na superfície celular de agentes externos ou internos infecciosos e de tumores, produzindo anticorpos para combater tais invasores. Ou seja, atua como defesa do corpo. Então, uma célula CAR-T é um linfócito T que passou por uma modificação genética.
Como é feita a terapia por células CAR-T?
Resumidamente, a terapia por células CAR-T é feita a partir da coleta de células T do sistema imunológico. Depois, é preciso levar o material a uma central especializada – todas até o momento são fora do Brasil –, fazer ali a modificação genética e trazer de volta, para então infundir no paciente. Essa modificação genética reprograma a célula para reconhecer e combater o tumor. Dessa forma, o próprio organismo do paciente torna-se um tratamento contra o câncer.
Quais tipos de câncer podem ser tratados com essa terapia?
Atualmente, as indicações já aprovadas e com uso vigente no Brasil são para pacientes com linfoma difuso de grandes células B (tipo de linfoma não Hodgkin) e leucemia linfoblástica aguda, ambas no cenário recidivado ou refratário da doença. Em breve, também teremos o uso para pacientes portadores de linfoma folicular (outro tipo de linfoma não Hodgkin) e para pacientes portadores de mieloma múltiplo.
Quantas doses do medicamento é preciso tomar? A terapia é feita com dose única, por meio de infusão intravenosa.
Essa terapia já está disponível no Brasil? Atualmente, existem três medicamentos de células CAR-T aprovados pela Anvisa para uso no Brasil. A aprovação da Anvisa é apenas uma parte do processo de disponibilização do medicamento no país. No caso do medicamento aprovado, a próxima etapa é a precificação pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão interministerial do Governo Federal responsável pela regulação econômica do mercado de medicamentos no Brasil.
Dos três medicamentos de CAR-T aprovados pela Anvisa, apenas um já recebeu a precificação pela CMED e que, portanto, já pode ser comercializado no Brasil.
Por que esse tratamento é tão inovador? O uso das células CAR-T tem mostrado importantes resultados, representando uma nova perspectiva no tratamento de alguns tipos de câncer que, até então, não tinham opções eficazes de terapia. É uma opção de tratamento transformadora com respostas potencialmente duradouras e até mesmo curativas.