Elevadas temperaturas aumentam a incidência das arboviroses

A Sesap emitiu uma nota informativa alertando os municípios a adotarem ações preventivas

Por -Por Redação 97 FM
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No verão, as elevadas temperaturas aceleram o ciclo reprodutivo do mosquito Aedes aegypti, contribuindo para um aumento na incidência de dengue, zika e chikungunya. Recomenda-se atenção redobrada a essas doenças neste período, marcado por um maior risco de transmissão. Durante essa estação, é fundamental intensificar as medidas preventivas e de controle em relação aos casos dessas arboviroses. Dados da Fundação Oswaldo Cruz indicam que quatro em cada cinco focos do mosquito estão localizados no interior das residências, reforçando a necessidade de verificações regulares em locais propícios à acumulação de água.
No Estado do Rio Grande do Norte, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) emitiu uma nota informativa, alertando os municípios a adotarem ações preparatórias e preventivas contra a proliferação do Aedes aegypti neste verão. De acordo com a coordenadora de vigilância em saúde da Sesap, Diana Rego, 2022 registrou mais de 12 mil casos confirmados e 21 óbitos por dengue. Nas últimas seis semanas epidemiológicas de 2023, os casos confirmados superaram os do ano anterior. O final de 2023 já apresenta uma curva ascendente nos registros de dengue. A Fundação Oswaldo Cruz prevê cerca de 2,2 milhões de casos suspeitos de dengue no Brasil em 2024, com aumento estimado em quase todos os estados, com destaque para a região Nordeste. A conscientização da população sobre a gravidade da situação é de extrema importância, promovendo a eliminação de criadouros, o uso de repelentes e medidas adequadas de proteção contra picadas. Paralelamente, as autoridades de saúde devem intensificar ações de controle e campanhas de conscientização para conter a disseminação dessas doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.
AÇÕES DA SESAP Ao longo desta semana, a Sesap vem fazendo uma série de reuniões com as secretarias municipais para traçar as estratégias regionais de enfrentamento à dengue durante este período. Os encontros estão focados nos municípios identificados como de maior risco potencial, envolvendo não só as secretarias de saúde, mas também os setores de assistência social, educação, infraestrutura e meio ambiente, como já aconteceu em Macau e Guamaré. “Temos que respeitar a realidade de cada situação e trabalhar em cima disso. A medida para quem está veraneando no litoral não é a mesma para quem vive no sertão, precisando armazenar água, por exemplo”, distingue a coordenadora Diana Rego.  Os números de uma pesquisa do Ministério da Saúde indicam que 74,8% dos criadouros do mosquito da dengue estão nos domicílios, em locais como vasos e pratos de plantas, garrafas retornáveis, bebedouros em geral e materiais para construção. O levantamento também aponta que locais de armazenamento de água elevados (caixas d’água, tambores, depósitos de alvenaria) e no nível do solo (tonel, tambor, barril, cisternas, poço/cacimba) aparecem como segundo maior foco de procriação dos vetores, com 22%, enquanto depósitos de pneus e lixo têm 3,2%.   Na nota informativa encaminhada aos municípios, a Sesap lista uma série de 25 recomendações, que vão desde a ampliação das ações de detecção dos casos por meio de exames, reforço das redes de cuidados em hospitais e unidades, até as já reconhecidas medidas de limpeza, para evitar acúmulo de lixo para cortar os focos de proliferação do mosquito. Para isso também, a secretaria já conta com a parceria do Ministério da Saúde, que encaminhou R$ 2,4 milhões para custeio das primeiras ações de enfrentamento.
Ao longo desta estação, a Sesap também vai atuar em conjunto com as forças de segurança na Operação Verão. O foco é reforçar as ações de conscientização junto à população. DADOS A Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio da Organização Pan-Americana da Saúde, emitiu em setembro de 2023 um alerta para aumento de casos de dengue, reforçando a necessidade de ações de vigilância, diagnóstico precoce e tratamento de casos. Já em outubro, a OMS tornou a emitir um documento, desta vez analisando a situação de saúde pública para os países afetados pelo El Niño, incluindo o Brasil, o potencial de ameaças à saúde pública causadas pelas alterações climáticas e sua influência nas arboviroses urbanas como dengue, zika e chikungunya. Seguindo a mesma linha, no mês seguinte o Ministério da Saúde reforçou o alerta com uma nota informativa avaliando todo o cenário no Brasil e pontuando que a retomada da circulação de todos os quatro sorotipos de dengue no país, o que não acontecia há 15 anos.
O último boletim epidemiológico da Sesap relativo a 2023 aponta que 12.048 casos de dengue foram notificados, dos quais 2.430 foram confirmados, 7.917 restaram como prováveis casos, resultando em três óbitos confirmados.